Fotografia: Histórias dos sobreviventes do ataque a Boate em Orlando

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12 de Junho de 2016, foi uma data que ficou marcada na vida de muitas pessoas, foi quando aconteceu o Massacre de Orlando, sei que massacre é uma palavra muito forte, mas por muitas fontes foi caracterizado "o mais mortal tiroteio em massa da história dos Estados Unidos", foi quando um atirador muçulmano norte-americano de origem afegã, prometeu lealdade ao grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, assim ocorreu o atentado terrorista doméstico, na boate LGBT chamada "Pulse", em Orlando, Flórida, Estados Unidos. Ao menos 50 pessoas foram mortas e 53 ficaram gravemente feridas.

O projeto Dear World, tem como objetivo principal contar histórias através da fotografia. Eles fizeram uma entrevista com sobreviventes, familiares e policiais e bombeiros que foram acionados para prestar socorro na Pulse. Assim, os entrevistados escreveram mensagens em parte dos seus corpos com o intuito que os fazem lembrar daquela noite.

Rodney Sumter
“Batman, Superman, Hulk. Ele disse que eu era seu favorito” (em português).
Rodney trabalhou como bartender na noite do ataque e levou quatro tiros.

“No Dia dos Pais, meu filho, que é fã dos quadrinhos da DC e ama super heróis, fez um pôster para mim: Batman é esperto. Super-Homem é rápido. Hulk é forte. Mas meu pai é meu super herói favorito. Tomei aqueles tiros e tudo em que podia pensar eram meus filhos. Conseguir sair dali e ser chamado de herói me motiva a continuar seguindo em frente”.

Mina Justice
“Fui para seu quarto e ele não estava lá” (em português).
Mina Justice, mãe de Eddie Justice, uma das vítimas fatais do tiroteio.

“Recebi uma ligação do FBI dizendo que precisavam fazer perguntas. Respondi ‘Não, vocês vão me dizer que ele se foi’. Ele foi a sexta pessoa a ser identificada e eu estava dizendo que não, não era ele. – ‘Sim, Sra. Justice, encontramos a identidade dele no bolso. Sentimos muito’
Depois disso, não lembro de nada. Eu só caí. E não pude compreender mais nada.
Fui até o quarto dele. Meu coração se foi, ele se foi. Ele não está lá. Ele se foi”.

Barbara Poma
“Você é ela, não é?” (em português).
Barbara Poma é a dona da boate Pulse e criou uma fundação para criar um memorial onde ficava a balada.

“Eu estava no mercado alguns meses depois, tentando voltar ao normal, e um rapaz estava atrás de mim na fila, me encarando. De repente ele começou a chorar. “Você é ela, não é?”, perguntou. “Sim, eu sou ela”. Ele começou a me contar sua história, a chorar, quis me abraçar. Ele comprou flores e me deu. Eu sempre vou ser a dona da Pulse. Sempre vou ser aquela pessoa”.

Omar Delgado
“Eu queria que eles tivessem atendido seus telefones” (em português).
Omar Delgado foi um dos policiais a atender o chamado na Pulse.

“A música tinha sido cortada. Telefones tocavam em todo o lugar. Um me chamou a atenção, estava perto dos meus pés e tocava, e tocava, e tocava. Eu podia ver o nome de quem estava ligando, sua foto, e pensava ‘Essa pessoa nunca mais poderá atender seu telefone’. Eles continuavam tocando, e as vibrações faziam com que o sangue saísse daquelas pobres pessoas. Tirou toda minha concentração”.

Marissa Delgado
“Ele disse: ‘Você precisa sair da sua casca'” (em português).
Marissa Delgado sobreviveu ao ataque na Pulse, mas seu amigo, Stanley Almodóvar, não.

“Como você se sente um ano depois? Como está sua recuperação? Que recuperação? Você acha que eu deveria ter me recuperado porque passou um ano? Não, não é assim que acontece. Uma pergunta comum que eu odeio: ‘Como está seu processo de cura?’ O que? Demora mais do que isso”.

Orlando Torres
“Eu te dei um beijo de Olá, mas nunca o de Tchau” (em português).
Orlando Torres sobreviveu ao ataque na Pulse.

“A última pessoa que eu vi foi Anthony Laureano. O cumprimentei com um beijo.
Eu estava na cama do hospital quando vi sua foto entre as imagens das vítimas fatais.
Eu disse Oi, mas não tive a chance de dizer Tchau. É isso o que mais me incomoda”.

Dimarie Rodriguez
“Cadê meu boa noite?” (em português).
Jean Carlos Nieves Rodriguez, filho de Dimarie, foi uma das vítimas fatais do ataque.

“Eu sempre eu lhe enviava uma mensagem desejando boa noite. Ele respondia e falava que me amava. E eu dizia que o amava mais. Mas naquela noite não teve boa noite. Eu sabia que ele estava na boate, então enviei o meu. Ele disse que me amava, mas não enviou o ‘boa noite’ porque estava fora. Quando eu acordei naquela noite e vi que ele não estava na sua cama, enviei uma mensagem. Eu não vi seu ‘boa noite'”.

Angel Colon
“Na escuridão do quarto no hospital, eu o perdoei” (em português).
Angel Colon sobreviveu ao ataque.

“Estava escuro, maseu não conseguia dormir. Aquelas foram as noites em que mais rezei. Enquanto todos dormiam, eu orava a Deus, lutava com Ele.
Eu nunca vou esquecer, mas, para ficar bem comigo, minha família, para que eles pudessem falar comigo, eu precisava passar pelo processo. E o perdão fazia parte disso.
Quando se pensa em perdão, tem algo ou alguém específico que precisa ser perdoado. Então sim, na minha cabeça, era o cara que fez isso.
‘Eu te perdoo’. Se eu me arrepender de perdoar, a raiva vai crescer dentro de mim, e isso é ruim. Eu só repito na minha cabeça: Amor, Esperança, Positividade. Siga em frente. Você vai ficar bem”.

Todas as fotos © Daymon Gardner/Dear World

Espero que vocês tenham gostado.
Abraços e até a próxima!

LUIZ EDUARDO

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