Moonlight: Um Grito de Liberdade

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Foto: CCINE10

Aclamado pela crítica mundial, “Moonlight” é uma obra densa e sensível que busca jogar aos olhos do público o que a sociedade ainda insiste em rotular como fora da “normalidade”.


Possivelmente nem elenco nem o diretor Barry Jenkins imaginavam que a obra alcançaria números tão grandes. Geralmente, esse tipo de filme, apesar de agradar a crítica e os entusiastas dos “filmes de arte” fica limitado a festivais independentes.

Com custo de apenas 1,5 milhões de dólares, o menor entre todos os indicados ao Oscar, o drama sobre infância, adolescência e vida adulta de Chiron (Ashton Sanders), arrecadou 30 milhões ate o dia da premiação. Após ser declarado campeão do prêmio de melhor filme (após uma gafe que anunciou – erroneamente - La La Land como vencedor) o filme ganhou sobrevida e foi lançado em mais 1500 salas só nos EUA.


O filme é dividido em três atos, um para cada fase da vida de Chiron. Sua trajetória enquanto homem descobrindo sua sexualidade e seu amor de infância pelo amigo Kevin. Não bastasse drama suficiente, Chiron é negro, pobre, tem uma mãe viciada em drogas e traça sua vida tentando entender sua sexualidade, aceitação e trilhar um caminho que fuja da criminalidade, algo tão presente em sua realidade.

Filmes que retratam essa (triste) realidade vivida por tantos jovens negros não são incomuns, e o que torna Moonlight um filme único, além de tratar também da questão da homossexualidade, o bullying e preconceito é não cair nos velhos estereótipos do gênero, evitando que o fosse apenas mais um “filme de gângsters”.


Além de uma excelente escolha de elenco, um roteiro redondo e sem furos de continuidade, uma historia cativante e comovente, devemos exaltar a bela fotografia do filme e escolhas corretas referentes a trilha sonora.

Em um mundo pós Trump, o filme surge quase que como um tiro de contra cultura. Um ato político e de resistência. Um grito de liberdade para as comunidades gay e negra. A questão da representatividade é mais importante do que nunca, já que apesar dos avanços conquistados até aqui, vivemos uma onda generalizada e globalizada de ódio e retrocesso. E Moonlight surge não como um filme negro ou gay, mas como uma obra que contempla a vida humana.


Diretor: Barry Jenkins
Elenco: Alex R. Hibbert, Ashton Sanders, Trevante Rhodes, Mahershala Ali, Naomie Harris, Andre Holland, Janelle Monáe

Prêmios:
Oscar – Melhor Filme
Oscar – Melhor Ator Coadjuvante – Mahershala Ali
Oscar – Melhor Ator Adaptado
Globo de Ouro – Melhor Filme Dramático
Critics Choice Award: Melhor Elenco, Melhor Ator Coadjuvante

VENCESLAU JUNIOR

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