ABNUÊNCIA: Lamento

12:00

Foto: Tumblr

[…]
Eu lamento por você não ter tido o fôlego que eu tive por nós. Seus pulmões pareciam estourar? Mas você não é forte o suficiente, sempre soube que nunca seria.

Cale a boca. Ela disse, sem demonstrar nada. A reserva de amor que enchi para ela durante anos se esvaziou rápido. Talvez por causa da minha sede incessável. Eu vi secar, mas acabei me desesperando. Ela bebia também. Bebia muito mais. E eu não conseguia mais encher sozinho. Estava cansado, e visivelmente desgastado. Matar a sede de dois famintos por amor não é tão fácil quanto parece.

Repleta de sede e exausta por ninguém acabar com esse martírio, ela partiu. Pergunto-me se para outra pessoa ela trabalhará para encher as reservas de amor todas as vezes que me lembro da porta se abrindo. Nunca um soco doeu tanto como os que ela me deu. Um soco e eu caí parecendo ter levado vários chutes e ponta pés. Mas daqui alguns dias, nós dois nos esqueceremos, até mesmo das cicatrizes. Alguém irá encher nossas reservas de amor novamente. Parecerá não ter acontecido. Não teremos certeza de nada. Bom, como ter certeza? Eu contei o que ela disse antes de partir, caro leitor?

De costas, sem nenhum ressentimento ou vontade de ficar:

Boa noite.

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