PRAGMÁTICO IV - Voa

09:00

Foto: Tumblr

Você voa quando anda, Vittore. Você abre as mãos e os dedos como se tocasse as nuvens no céu e balança o corpo como se estivesse planando no ar. Você sorri e isso é tão insuportavelmente belo. Vittore, você tem o nariz empinado e uma das sobrancelhas erguidas porque as tuas mãos possuem uma maestria que também é perturbadora. Você é sério, mas suas caretas engraçadas escondem as tuas mil faces e eu posso resumi-las como as fases da Lua. Você anda para lá e para cá com o cigarro entre os dentes e parece ser o rapaz mais confiante do mundo quando bagunça os próprios cabelos e cruza os pés para olhar o nosso céu. Sim, nosso, porque a Lua felizmente pertence a quem tem um olhar que enxerga mais do que deveria. Enxerga beleza e bondade dentro de um montante de tristeza e retira poesia até de uma folha caindo e bailando do alto de uma árvore em direção ao chão ou de alguém sendo assaltado e esfaqueado no meio da rua. E Vittore, você possui o olho mais poético de todos. Você é aquele rapaz que bebe Uísque para ficar bêbado e sobe no mural do prédio mais alto da cidade e caminha sobre ele e olha para o chão e sorri. Sorri porque o vento ali de cima é a melhor sensação que já te tomou. Você é feito para voar e nem a vida nem a morte podem te libertar, pois você nunca foi preso.

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