PRAGMÁTICO III - Belo Dia

09:00

Foto: Tumblr

Era um belo dia. A casa estava arrumada. O reflexo meu no piso porcelana não era dos mais felizes. Era cansado. Pensei em textos e textos de desculpas, muitas formas de tentar de me redimir. Consertar o inconsertável. Difícil aceitar que tudo acabou. Depois de tanto tempo… Tudo realmente acabou. Deitado e com você em meus braços, fiquei ali, olhando o vazio. Permitindo que tuas lágrimas molhassem minha camisa mal passada. Não havia mais dor, não havia nada, além do bom e velho vazio, e é por isso que doía tanto. Já não machuca. Limpei os teus olhos. Arrumei meus cabelos. Uma dor sufocante me estilhaçou quando percebi que minhas roupas estavam arrumadas na mala. Ainda sim, eu sorria. Descobri naquele dia que é possível um sorriso, ser um choro sincero. Beijei teus pés, tua testa. Meu polegar percorreu a maçã do teu rosto. Tua pele tão avermelhada… A pinta em teu lábio, os cabelos negros, o cheiro e o gosto da tua pele salgada por causa das lágrimas nunca mais me abandonariam. Nunca iria esquecer, os estragos que fiz. ─ Eu acho que realmente gostei de você. Pouco a pouco, as paredes desmoronaram, queimando… Caminhei em meio à todo aquele fogo sem ser queimado em direção a porta. Eu nunca mais poderia voltar. Com você, não era mais o meu lugar.

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