Overdose de Sentimento #102

14:32


Era como voar, extremamente empolgante e medonho ao mesmo tempo, havia ali uma sensação de conforto fundida a um frio na espinha. 

Nós dividíamos tudo. Todas nossas angústias, dúvidas, nossas alegrias e até as coisas mais simplórias do nosso dia. Estávamos sempre conversando sobre os mais variados assuntos. Filmes, política, receitas culinárias, o céu, as pessoas ao nosso redor e tudo mais o que nos fazia felizes ou nem tão felizes assim. Vivemos um com o outro experiências únicas que mesmo depois do fim, soubemos que não seriam vividas com mais ninguém. A forma como eu tocava seus cabelos e como isso fazia brotar em seu rosto um sorriso. A maneira como me abraçava, o cheiro que tinha e o jeito tão único de ser. As vezes eu fecho meus olhos e posso sentir aquele cheiro de novo, como se estivesse bem aqui ao meu lado, como costumava ser. Ao deitar-se sobre meu peito naquela cama estreita, parecia que nossos corpos foram moldados juntos, em um encaixe perfeito. Sua cabeça repousava por sobre mim quase que magicamente. Nossas brincadeiras, aqueles códigos bobos mas que ainda sim, tão nossos. As viagens que fazíamos, não mundo a fora, mas dentro daquele quarto pequeno, imaginando coisas, situações e pessoas que jamais veríamos, teríamos ou viveríamos. Fazíamos aquilo apenas pelo prazer de dividir mais uma coisa, boba que fosse, entre a gente. Quantas juras não foram feitas ali? Quantas vezes não pensamos no futuro e não falávamos que o futuro seria nosso? Nosso futuro, dividido, um pouco pra cada. Nunca fomos daqueles casais que prometem  estar pra sempre ao lado do outro, nunca dissemos que nos amávamos, mas ambos sabíamos. Bem no fundo sabíamos. Nós descobrimos a nós mesmos, mas no outro. Eu ainda me lembro. Me lembro como se fosse ontem, nós dois rindo sem motivo aparente, meus dedos passeando pela sua face de uma maneira extremamente leve, cuidadosa. Quase como se eu a pudesse desenhar em minha mente. Seus abraços no meio da noite, involuntários, como se buscasse em meu corpo a segurança que não tinha nos demais. A maneira como nos beijávamos, como nossas mãos percorriam o alheio, o delírio mútuo a forma como meu sexo e o seu se uniam como se fossem um só. Só aqueles lençóis brancos foram testemunhas do quão intenso fora nossa amor. Apesar que dizer isso em tom de passado é uma bobagem. Não fora, ainda é. Ainda é amor, apesar dos pesares. Ainda é amor e eu aprendi que é amor, no dia em que percebi que o que me importa realmente é sua felicidade. Te ver feliz já me basta e só de pensar que seja lá onde você esteja e com quem quer que seja, só de saber que o riso que você traz em seu rosto é verdadeiro, eu me contento, eu me alegro. Por muito tempo eu me esforcei pra ser o motivo da sua alegria, mas infelizmente esse meu jeito um tanto quanto torto de ser não permitiu isso. Eu não pude lhe proporcionar o que você sente agora, mas não lhe culpo e nem culpo a mim. Eu apenas admito que não fui o suficiente, não por não querer, mas por não ser do meu feitio. O melhor foi feito e como toda boa história, a nossa não perde o valor do que foi vivido, apenas acaba exatamente onde é necessário que ela acabe. Em um ponto final.

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