Garoto do Passado - Eu não beijei você. A tequila beijou.

19:51


"Eu não beijei você. A tequila beijou."
Parei o carro. 
— Cara. O quanto eu bebi? 
— Me chame de burro, mas depois de certo número minha capacidade de contar foi derrotada. 
— Você é um anjo, sabia? — e inclinou-se sobre o meu banco pra me beijar. Agarrou meu cabelo, na nuca, me prendendo por um tempo. 
Segurei o queixo dela com a mão e retribui o beijo, mas logo a afastei suavemente, sem querer dar a impressão de estar rejeitando-a ou sei lá. Mulher é sensível, mulher bêbada é 10x pior. Deixei meu dedo indicador sobre nossas bocas, separando-as. 
— Eu sou. Não tá vendo minhas asas? 
Senti a mão subindo pelo meu joelho, coxa também, pelo lugar onde vem depois da coxa… O caminho todo até as costas, e senti indo pra baixo da minha camiseta. 
— Não achei suas asas. Mas não sei se procurei com muita vontade.
Arranhão. Com a outra mão, pegou o meu pulso. Deixei que fizesse o quê quis. Levou minha mão até seu rosto, e mordeu meu indicador de leve. Eu sorri. 
— Se eu fosse você, fugiria. 
— Mas você não é… 
— Dez segundos de vantagem. 
— Isso é uma insinuação de que eu tenho alguma deficiência ou? 
— Eu poderia abusar de você nesse estado — mudei de assunto. 
— Então abuse — com tom de voz de “você não é capaz”. 
— Você bebeu… E tá fazendo coisas que não faria se estivesse sóbria. 
— Obrigado pela análise, senhor psicólogo. Mas não dizem que o álcool só te leva a fazer o que você não tinha coragem quando estava sóbrio? Então. É meu caso. Sou louca por você. 
Voltou a me beijar, dessa vez com mais vontade. Mantive os olhos abertos. 
— Você não acha — eu disse relutante entre o beijo — que talvez seja hora de entrar? 
— Boa ideia… — ela sussurrou com a boca colada na minha. — Vem comigo. Minha cama é grande. O sofá nem tanto, mas a gente pode ficar agarrados e aí… 
Eu ri. 
— Não… Você entra, e depois eu vou pra casa… Sabe. A minha. Sozinho. E você fica aqui. Na sua. Sozinha. 
— Ou… A gente pode ficar aqui no carro e aproveitar o seu banco de trás. Adoro banco de couro. 
Fiquei sério. 
— Ok — ela disse quando viu minha expressão, levantando as mãos como se rendesse. — Mas eu vou precisar de ajuda. 
Desci do carro e corri até a porta dela, abrindo-a em seguida. Estendi a mão e ela a pegou. Andamos em direção casa e ela entrelaçou os dedos nos meus, apertando nossas mãos. Gay, pensei… Mas não tão ruim. Ela tropeçou algumas vezes, nos próprios pés, e ria alto de si mesma, o som ecoando pela rua vazia. Soltei sua mão quando chegamos à entrada e me virei de frente pra ela. 
— Chave? — perguntei. 
— No meu bolso de trás — ela respondeu, com um sorrisinho. 
E lá vamos nós… 
— Então me dá — estendi a mão. 
— Vem pegar. 
Tive a leve, levíssima impressão que ela não se referia apenas a chave. 
Ok, sei jogar esse joguinho. Puxei-a pela cintura até que o corpo dela ficasse colado ao meu e não desgrudei meus olhos dos dela. Desci minha mão, até chegar no bolso de trás e enfiei a mão nele, pegando as chaves em seguida. Confesso que deixei a mão lá um pouco mais do que o necessário. Sorri. Ela sorriu de volta como se dissesse “perdi a batalha, mas não a guerra”. Andei até a porta e enquanto tentava abrir, um pouco atrapalhado com as chaves, senti uma mão subindo pelas minhas costas, por baixo da camiseta… De novo. 
— Você não cansa? 
— De você? Eu não. 
Ri de novo. 
— Sério… — enquanto descia a mão pra minha bunda. — Se eu fosse, sei lá, prefeita? Eu ia decretar uma lei onde você não pudesse usar camiseta. Nunca.
Virei-me. 
— Sério. Para com isso. 
Tentei falar no tom mais sério possível. Ela ficou na pontinha dos pés, pegou meu rosto entre as mãos e me deu um selinho, depois fez um bico. Derreti um pouquinho. 
— Ok. 
— Ok — repeti. — Vou te colocar na cama. 
— Ficar comigo lá também? 
Fiz uma careta. 
— Até eu dormir. 
— Vou pensar no seu caso. 
Entramos em casa, e ela puxou meus braços por cima dos ombros dela. Abracei-a por trás, dei um beijinho na bochecha enquanto subia com ela pelas escadas e pensei que aquilo tudo realmente era muito, muito gay e se ela fosse contar pra alguém, eu negaria que esse lance de entrelaçar dedos e abracinhos aconteceu. Depois que tive certeza que ela não ia vomitar tudo que tinha bebido nem me assediar um pouco mais, coloquei-a na cama e deitei uns 15 minutos com ela, de conchinha. De novo, gay… 
— Pietro? — com a voz sonolenta. 
— Alice — respondi. 
— Obrigada. 
— Por? 
— Não ter se aproveitado. 
Mais 10 minutos. 
— Alice? 
— Pietro… 
— Dorme bem. 
Mais uns beijos. 
Mas só quando cheguei no carro me toquei que nenhum neles tinha tido gosto de álcool.

— Vinícius Kretek      (via called-sex)
Texto escrito por Garoto do Passado

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