Textos inspiradores do Tumblr

12:10


“Amanhã vai ser um grande dia, ou não. Vou tentar realizar todos meus planos, ou não. Vou tentar me divertir, ou não. Vou fazer diferente, ou não. Talvez eu fique na cama o dia todo, ou não; talvez eu ligue a tv pra assistir mais notícias sobre o acidente de Santa Maria. Talvez eu devore um prato super-lotadasso de cereal sem leite. Talvez eu use aquelas meias que já não servem mais em mim, talvez eu passe o dia escrevendo e ouvindo Cazuza  pois como o mesmo dizia “o tempo não para”, talvez seja um dia diferente, com todos os planos realizados e riscado com um “v” no final do dia, naquela lista que preguei na geladeira ontem com os seguintes dizeres “metas para amanhã”, lembrando que nem sei porque escrevi “amanhã”, nem sei se o amanhã vai existir. Estou fazendo planos antecipados e isso é um erro. Sim, a tua piscina ta cheia de ratos, e suas idéias não correspondem aos fatos, vejo o futuro repetir o passado, e isso é agoniador. E essa dor? Acordar e perceber que tudo é tão nostálgico, cada parede desse quarto azul que mais parece preto, é como procurar agulha no palheiro; e nas manhãs de frio? Acho que preferia nem nascer. Estou testando todos os meus limites, e o pequeno príncipe que jamais realizara suas metas sem deixar poemas e poesias para trás, pseu do encanto, pseu da agonia, pseu-da-sobrevivência-pontiaguda. É como pular de um precipício e sobreviver, porém ficar com quebradiços internos. É como soar frio, escorregar no óleo derramado na cozinha na noite de ontem preparando o jantar, sobreviver porque queria ver no dia seguinte o brilhar das constelações, quão perfeitas e extremamentes longíquas. Ainda não entendo porque os girassóis só dançam no brilhar do sol, a lua é tão mais linda, tão mais sedutora, gata em branco e amarelo, sobrenome musa da madrugada, olhar hipnotizante, gaguejar dos veados, sondar dos anões do conto branca de neve, que a encontraram “morta” em um caixão de vidro, e que sonha apagada pela chegada do príncipe que a beijara e o feitiço da maçã quebrar-se. Mas o príncipe nunca chegou, ela ainda está lá, desacordada, esperando o seu príncipe… talvez ela espere a eternidade, ou não. A sua paciência uma hora acaba, e ela sai do caixão de vidro, e prova que pra ter final não precisa da chegada do príncipe, e que quando a gente deixa de acreditar em algo, aquilo acaba perdendo o poder, e desde então a maçã envenenada perdeu a magia, e a bruxa que se sentira gloriosa a anos já não tem mais cabelos pretos, nem milhares de moedas de ouro. Finalmente a linda lua, gata branca e branca de neve, assim como o girassol que é hipnotizado pelo sol sai do seu caixão de cristal, e bate asas, se torna a maravilhosa estrela, e lá de longe dá pra se ver o seu brilho, irradiante, estonteante, eletrizante, quase perfeita, e a única coisa que a impede da perfeição é o seu não acreditar, sua frieza, graças a quem? Ao príncipe que não veio, a bruxa que fizera a maçã envenenada, aos efeitos naturais que sempre conspiraram contra; e hoje ela está distante, porém brilhante e linda como sempre haverá de ser. Ela está iluminando o seu teto, a sua cama, e por incrível que pareça amanha ela vai te dar forças pra se levantar da cama, seguir seu destino, realizar seus planos… Uns acreditam que ela esteja mesmo lá, outros não, isso vai além de acreditar, isso vai além de qualquer coisa que exista. Está nos planos, no diamante que não está na sua gaveta, e sua gaveta que se quebrou, o acreditar está na caixa de fósforo jogada no lixo, na estampa da sua camiseta de marca que você nunca procura saber o que significa, está na lata de coca cola que todo mundo compra, no tilintar das taças e suas promessas, está na burrice do ser humano ao prometer e não cumprir, está no céu, está no seu céu, está no chão que tu pisas, nos seus olhos que agora escorrem as mais verdadeiras lágrimas, está no encarar da realidade, no encarecer dos fatos, está no amor que jamais existira. A lua branca, humilde e neve está na estrela cadente que não caiu, na pedra de gelo que se derreteu, está na vela que se apagou com o vento, está nas folhas que o outono derrubou, a branca e linda princesa está na escuridão, ou até mesmo na manhã do seu acordar, está nos seus sonhos, e está no subconsciente. 
A branca e perfeita neve está ai dentro, em alguém lugar, que hora é doce, hora é sombrio. Ela, a doce e delicada rosa está nos espinhos que um dia te feriu, na fumaça que o cigarro produz a cada tragada, enfim, a vermelha e bela branca de neve está no seu querer, na dispersão, no retratar dos fatos, ideologias que não tem significado algum, está no entender, e no não entender. Ela está no “indefinido”, no poema sem fim, no texto sem sentido, está nas palavras embaralhadas, nas cartas de sorte lidas por cartomantes, nas magias que alguns acreditam e outros não. A branca e bela rosa indomável está dentro de você, se não for pedir muito pode regá-la para mim? Eu só não quero que ela morra, assim como todo seu acreditar morreu. Assim como sua vida escureceu, assim como você mudou. É só olhar em sua volta, você não abraçou sua mãe enquanto podia, não sorriu pra fazer aquela criança que estava na rua feliz. Olhe bem, a culpa disso tudo não é sua, o mundo é um embaraço, um novelo de lã que o gato rola e brinca. Todos enlouquecem com palavras desgovernadas, todos querem voltar ao normal, porém já é tarde demais.”

E assim, todos se tornam comuns, porque a bela e tom delicada rosa já murchou, e de certa forma ela já não existe mais. Maykon, tudo-sincero  (via condessar).

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